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Peixe em extinção Brasil: o que está ameaçado e como ajudar

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Peixe em extinção Brasil: o que está ameaçado e como ajudar
Foto por Lucia Barreiros Silva no Pexels

Você sabia que alguns dos peixes mais comuns nos mercados e restaurantes brasileiros estão em risco de desaparecer? A situação é mais grave do que parece: espécies como o atum-azul, o mero e até a sardinha-verdadeira têm estoques cada vez menores nos oceanos. Neste artigo, você vai entender quais peixes estão ameaçados, por que isso acontece e, principalmente, como escolher opções sustentáveis sem abrir mão do sabor.

Quais peixes estão em extinção no Brasil?

O Brasil tem uma lista oficial de espécies ameaçadas, mantida pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Entre os peixes marinhos e de água doce, alguns nomes merecem atenção especial.

Peixes marinhos em risco

  • Mero (Epinephelus itajara): um dos maiores peixes do litoral brasileiro, pode chegar a 400 kg. A pesca excessiva e a destruição de recifes de corais reduziram drasticamente sua população. Hoje, sua captura é proibida, mas ainda ocorre de forma ilegal.
  • Atum-azul (Thunnus thynnus): muito valorizado na culinária japonesa, esse peixe migratório sofre com a pesca industrial descontrolada. No Brasil, é encontrado principalmente no Sudeste e Sul.
  • Cação (várias espécies de tubarão): vendido em postas como "cação", muitos tubarões estão ameaçados. A pesca de arrasto e a captura acidental (bycatch) são as principais causas.
  • Garoupa (Epinephelus marginatus): parente do mero, também sofre com a sobrepesca. Sua carne é muito apreciada em restaurantes.

Peixes de água doce ameaçados

  • Pirarucu (Arapaima gigas): o gigante da Amazônia já esteve perto da extinção. Com manejo controlado, algumas populações se recuperaram, mas a pesca ilegal ainda é um problema.
  • Tucunaré (Cichla spp.): embora seja resistente, a introdução em lagos fora de sua área natural e a pesca predatória afetam algumas subespécies.
  • Surubim (Pseudoplatystoma spp.): peixe de couro muito consumido no Centro-Oeste e Norte, sofre com barragens e pesca excessiva.

Por que o peixe mais consumido no Brasil está ameaçado?

A sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) é o peixe mais consumido no país, presente em conservas, pratos típicos e feiras. No entanto, os estoques estão em declínio.

Pesca predatória e industrial

A frota pesqueira industrial usa redes de arrasto que capturam toneladas de sardinha de uma só vez, muitas vezes antes que os peixes atinjam a maturidade sexual. Isso impede a reprodução e reduz a próxima geração.

Falta de fiscalização

O defeso (período de proibição da pesca) existe, mas é mal fiscalizado. Muitos barcos continuam pescando durante a época de reprodução, o que agrava o problema.

Mudanças climáticas

O aumento da temperatura dos oceanos altera a distribuição do plâncton, base da alimentação da sardinha. Com menos comida, os cardumes diminuem.

Como a pesca sustentável pode ajudar?

A pesca sustentável não é um conceito distante. Ela envolve práticas que garantem que os peixes continuem existindo para as próximas gerações.

Selos e certificações

  • MSC (Marine Stewardship Council): selo internacional que atesta que o peixe foi capturado de forma sustentável. No Brasil, algumas pescarias de lagosta e camarão já têm certificação.
  • FIPs (Fishery Improvement Projects): projetos de melhoria da pesca, que envolvem pescadores, indústria e governo para ajustar as práticas.

O que você pode fazer agora?

  1. Pergunte de onde vem o peixe: no mercado ou restaurante, questione a origem. Se o vendedor não souber, desconfie.
  2. Evite peixes ameaçados: não compre mero, garoupa ou cação de espécies vulneráveis. Prefira opções como tilápia (criada em cativeiro) ou sardinha certificada.
  3. Consuma peixes de cativeiro: a aquicultura brasileira produz tilápia, tambaqui e pintado de forma controlada. Essas opções aliviam a pressão sobre os estoques selvagens.
  4. Apoie a pesca artesanal: pescadores locais costumam usar métodos menos agressivos, como linha e anzol, que capturam apenas o que vão vender.

Espécies para evitar e alternativas seguras

Peixes que você deve evitar

  • Mero (pesca proibida, mas ainda vendido ilegalmente)
  • Atum-azul (estoque crítico)
  • Cação (diversas espécies ameaçadas)
  • Garoupa (sobrepesca severa)
  • Sardinha-verdadeira (se não tiver certificação)

Alternativas sustentáveis

  • Tilápia (criada em tanques, tem baixo impacto ambiental)
  • Tambaqui (nativo da Amazônia, criado em cativeiro)
  • Pintado (criado em cativeiro no Sudeste e Centro-Oeste)
  • Sardinha-certificada (com selo MSC, quando disponível)
  • Corvina (pescada com linha, estoque ainda saudável em algumas regiões)

Legislação e o papel do governo

O Brasil tem leis que protegem espécies ameaçadas, como a Instrução Normativa MMA nº 5/2004, que lista os peixes proibidos para captura. Na prática, a fiscalização é falha. O Ibama e a Marinha fazem operações esporádicas, mas o volume de pesca ilegal é alto.

O que está sendo feito?

  • Planos de gestão: o ICMBio desenvolve planos para espécies como o mero e o pirarucu, com cotas de pesca e áreas de proteção.
  • Acordos internacionais: o Brasil participa de comissões que regulam a pesca de atum e tubarões em alto-mar.
  • Projetos de pesquisa: universidades estudam a reprodução e migração de peixes para orientar a pesca.

Conclusão e próximos passos

A extinção de peixes no Brasil não é um problema distante. Ela afeta diretamente o preço do peixe no mercado, a renda de milhares de pescadores e a saúde dos oceanos. Você pode fazer a diferença com escolhas conscientes: prefira peixes de cativeiro ou com certificação, evite espécies ameaçadas e cobre dos supermercados informações claras sobre a origem dos produtos.

Da próxima vez que for comprar peixe, lembre-se: cada compra é um voto a favor da sustentabilidade ou da extinção. Escolha com consciência.

Perguntas frequentes

A sardinha-verdadeira (Sardinella brasiliensis) é o peixe mais consumido no país e está com estoques em declínio devido à pesca predatória, falta de fiscalização e mudanças climáticas. Embora não esteja oficialmente em extinção, a sobrepesca coloca a espécie em risco.